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HINO DE MATO GROSSO DO SUL
Por: Otvio Gonalves
GomesNo perodo da instalao do nosso governo de Mato Grosso do Sul, ns e
Jos Couto Pontes, na qualidade de membros da Academia de Letras,
extra-oficialmente fomos convidados para assessorar os funcionrios do
Governo, em assuntos culturais.
Mal iniciamos nossas atividades, foram
abertos concursos para escolha dos smbolos do novo Estado. Interessado
em concorrer aos concursos, eu me afastei para concorrer ao certame.
Nenhum dos concorrentes conseguiu aprovao da COMISSO, mais por
imposio de pessoas de fora do Estado que desconheciam as realidades
nossas do que propriamente falta de qualidade dos trabalhos.
Dada a urgncia da criao do Hino, resolveu a Comisso encarregada do
concurso que se procurasse no Rio de Janeiro compositores consagrados e
poetas de renome para compor o nosso HINO.
Jos Couto Pontes foi enviado ao Rio de Janeiro e, levado ao MAESTRO
RADAMS GNATTALI, por Odlio da Costa Filho, da Academia Brasileira de
Letras, segundo declarou, em artigo publicado recentemente, o ento
presidente da Academia.
O maestro comps a melodia, portanto.
Quanto ao poema, disse-nos o emissrio que foi ao Rio de Janeiro
depois de consultados alguns especialistas, declararam, que ao que
sabiam do ambiente cultural do nosso Estado, haveria certamente, poetas
capazes de realizar aquele trabalho; e declinaram do convite.
Ter-se-ia repetido o acontecido com Osvaldo Cruz quando da epidemia
de peste bubnica, na antiga capital. Solicitaram ao Instituto PASTEUR,
um sanitarista, e a resposta foi aquela j conhecida. A pessoa procurada
est a no Brasil e se chama OSVALDO CRUZ.
Convocada s pressas a Academia SUL-MATO-GROSSENSE DE LETRAS, foi-lhe
dada a misso de compor o poema do Hino do Mato Grosso do Sul.
Faltava possivelmente uma semana para a instalao do Governo do novo
Estado.
Os acadmicos reunidos iniciaram as conversaes. O primeiro a se
manifestar foi o saudoso poeta Germano Barros que declarou-se sonetista
e sem condies de produzir um poema em exguo tempo; os demais
consultados, dada a responsabilidade, e exigncia do curto espao de
tempo, desistiram.
Os dois nicos que consultados disseram estar disposto a tentar: ns,
estudiosos da nossa HISTRIA e com um livro de poesia publicado; e Jorge
Siufi, apresentador musicista e cantor de seresta. E COUTO PONTES, na
qualidade de Presidente da ACADEMIA, na coordenao.
Iniciamos a composio cientes de que, devido, urgncia, o poema
seria composto em versos brancos, estilo modernista.
Ns que havamos concorrido ao concurso com uma letra baseada em
temas histricos e da nossa natureza, continuamos usando os mesmos temas
que julgvamos deveras oportunos.
A professora NEUSA G. GOMES, convocada, ia executando a melodia ao
piano. Ns e o Jorginho fomos tentando as fases e o COUTO PONTES
opinava. Assim foi composto o esboo do HINO, em aproximadamente duas
horas. O passo seguinte era a adaptao tcnica do poema melodia.
A foi lembrado o Maestro Peter HANS, que conseguiu harmonizar a
letra partitura. E continuava a corrida contra o tempo. Neste
intervalo ainda tentamos a execuo da partitura com a BANDA DA POLCIA
MILITAR. Mas em razo dos membros da corporao haverem concorrido ao
concurso ou porque os executores da msica no estavam motivados, a
interpretao no era boa. Foi quando a professora NEUSA, exasperada,
tomou a si a regncia do ensaio e pediu mais entusiasmo na execuo.
Nesse momento veio-nos a idia de dizer aos participantes da Banda, o
significado histrico do poema do Hino. Acreditamos ter conseguido
transmitir aos msicos algum entusiasmo patritico, porque um oficial
militar ali presente, entusiasmado com as nossas palavras, em vibrante
alocuo exortou aos msicos a executarem a partitura com mais vibrao
e sentimento, o que foi conseguido.
Nesse interim, o Coral Universitrio realizava os ensaios, e chegava
a Orquestra Sinfnica Brasileira, que executou a partitura de Radams
Gnattali no ensaio geral, junto ao Coral Universitrio.
Resultado: na festa de instalao do novo Estado, no Teatro Glauce
Rocha, o Hino de Mato Grosso do Sul foi aplaudido de p.
Depois o Hino foi esquecido. Tempos depois, a Fundao Barbosa
Rodrigues mandou fazer um novo arranjo e a Assemblia Legislativa, num
gesto digno de aplausos, mandou gravar o Hino e o distribuiu pelas
Escolas.
O Hino na realidade agora est bem melhor. O que est faltando a
regravao em maior nmero, e distribuio mais ampla pelos rgos de
divulgao do Estado e pela Secretaria de Educao.
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Hino de Mato Grosso do Sul
(Decreto n.3 de 1 de Janeiro de 1979)
Letra:
Jorge Antnio Siufi e Otvio Gonalves Gomes
Msica: Radams Gnattali
Os celeiros de farturas,
Sob um cu de puro azul,
Reforjaram em Mato Grosso do Sul
Uma gente audaz.
*
Tuas matas e teus campos,
O esplendor do Pantanal,
E teus rios so to ricos,
Que no h igual.
*
(Estribilho)
A pujana e a grandeza
De fertilidades mil,
So o orgulho e a certeza
Do futuro do Brasil.
*
Moldurados pelas serras,
Campos grandes: Vacaria,
Rememoram desbravadores,
Heris, tanta galhardia!
*
Vespasiano, Camiso
E o tenente Antnio Joo,
Guaicurus, Ricardo Franco,
Glria e tradio!
*
(Estribilho)
A pujana e a grandeza
De fertilidades mil,
So o orgulho e a certeza
Do futuro do Brasil.
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